A igreja primitiva não era comunista!

Por Victor Santos





É comum algumas pessoas atribuírem a relação de comunhão da igreja primitiva com socialismo, defendendo a ideia que aquela comunidade buscava igualdade para todos e outros argumentos ilusórios à verdadeira realidade. Motivos para explicar que o ideal da igreja primitiva não tem nenhuma ligação com o comunismo são muitos, sejam eles históricos, teológicos e lógicos, mas vou me atentar em pontos simples para entendermos esse tema. Vejamos o texto de Atos 2: 44 ao 46:
“Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração”.
O que ocorreu na igreja primitiva foi o que João ensina em sua epístola, explicando que “o mundo e sua concupiscência passa, mas o que faz a vontade de Deus permanece” (cf. 1 João 2:17). Ou seja, a igreja não estava apegada a coisas materiais pois acreditava que Jesus voltaria daqui alguns instantes, então buscavam fazer a vontade de Deus com toda liberalidade material.

E qual vontade de Deus? João mostra que é a mensagem que os cristão ouviram desde o principio, que uns amem os outros (cf. 1 João 3:11). O amor era o que moveu a igreja primitiva, baseado no AMOR que eles se dispunham a ajudar uns aos outros.

O comunismo tem um objetivo econômico onde o Estado tem o valor máximo, “em teoria”, deseja uma sociedade sem classes (embora na história é visto que ela sempre gerou novas classes). Além disso, o comunismo tem ideias diferentes do cristianismo.

Para o comunismo o homem é o centro e tudo é relativo em termos de moralidade, o evangelho é oposto a isso colocando Deus ao centro e nos mostrando o que é moral praticarmos. Ligar o texto de Atos ao comunismo é um equívoco, pois é utilizar um texto fora de todo contexto do evangelho. Sem contar que a comunhão da igreja primitiva surgiu bem antes do idealismo socialista. A comunidade de fé era movida por amor e espontânea vontade de um indivíduo em abençoar o outro. Perceba que o evangelho transforma uma pessoa e ela por decisão própria pratica uma justiça, isso é diferente de um Estado ter posse do que você tem e distribuir como desejar.

Falo isso, porque a igreja primitiva não estava ligada a um sistema econômico, mas ligada ao AMOR que cada individuo praticava. Quando alguém entregava sua propriedade ao apóstolo para que ele utilizasse o mesmo da melhor forma para a comunidade, não faz disto um sistema socialista, pois tudo estava sendo feito por liberalidade provido pelo amor.

Se todos nós amassemos uns aos outros não nos importaríamos em que sistema político que estamos vivendo, seja em uma democracia ou até em uma ditadura, SE todos se amassem não faria diferença, pois não existiria orgulho e dinheiro como rei, mas justiça e uma busca em um ajudar o outro (claro que esse exemplo é uma utopia para um mundo de imperfeição), isso significa que a igreja primitiva não tem ligação à nenhum sistema político, muito menos ao comunismo, a passagem bíblica é um exemplo de amor para a fé e está baseado neste contexto, não em um socialismo que finge ser justiça para ser totalitário.

Este artigo não tem objetivo de comparar sistemas políticos e definir qual é o melhor, nós como sociedade devemos buscar a melhor forma de conviver uns com os outros, mas o artigo tem o desejo de eliminar a possibilidade da passagem bíblica de Atos 2 ter alguma ligação com o comunismo, ou até qualquer outro sistema político. Precisamos entender que o evangelho tem uma coerência e uma busca por uma transformação pessoal de cada pessoa, essa transformação pode refletir na sociedade, mas é impossível criar um mundo perfeito com pessoas imperfeitas.

Por isso, existe o evangelho e a mensagem de Jesus, os discípulos de Cristo devem ser o sal da terra e a luz do mundo (cf. Mateus 5:13), precisam ser a diferença, a voz de justiça e de amor em um mundo que contém sistemas falhos e pessoas falhas, a igreja precisa ser a esperança para o que sofre, independente de qualquer forma de governo.

O objetivo do texto de Atos 2 é mostrar como a igreja deve viver baseada no amor, não em como um Estado deve ter poder sobre os bens das pessoas e organizá-los. Viver de baixo de um totalitarismo em um mundo de pessoas falhas é LOUCURA! O idealismo humano por mais que seja bem intencionado é sujeito a injustiça, justo só é Deus.

Por isso, oramos a Deus: “Venha o Teu Reino!” Governo justo só o divino! É isso que a igreja aguarda, chegar o dia em que o Jesus voltará e enxugará de nossos olhos todas as lágrimas, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor, porque todas as coisas serão novas e habitarem em um reino justo (cf. Apocalipse 21:4 e 5).

Enquanto esse dia não chega, a igreja deve buscar o amor e praticar o amor! Buscando justiça e não aceitando ideologias aproveitarem da nossa fé para defender um governo falho. Comunismo é ideologia ateísta, e passa a ser inaceitável quando tenta utilizar um evangelho puro para ter aceitação para seu sistema falho.

Deus abençoe.

Sobre os “Cristãos Progressistas”

Por Franklin Ferreira:



Os assim chamados “cristãos progressistas” (alcunha que não é nova, e foi usada, por exemplo, na Polônia, nas décadas de 1950 e 1960 para caracterizar os católicos que apoiaram os comunistas) se notabilizam, hoje, no Brasil, por defender a união civil de pessoas do mesmo sexo, aborto, maioridade penal e todo tipo de estatismo, como bons devotos de uma ordem religiosa, totalmente leais ao Partido e ao santo graal da Ideia.¹ Todos aqueles que não concordam com eles são tratados, simplesmente, como “não-pessoas”. E alguns de seus autores prediletos são Jürgen Moltmann, Hans Küng, Paul Tillich, Rob Bell, Brian McLaren, John Howard Yoder, Rosemary Radford Ruether, Leonardo Boff, Frei Betto, Gustavo Gutiérrez, Severino Croatto, entre outros.

Mas a defesa veemente desses temas são sinais de um mal maior. Até que ponto esses “cristãos progressistas” não têm reinterpretado profundamente a fé cristã, tornando-a em algo amorfo, totalmente distinto daquilo que se pode receber como revelação de Deus nas Escrituras Sagradas?

Parece que há, da parte desses “cristãos progressistas”, uma clara ruptura com “aquilo que foi crido em todo lugar, em todo tempo e por todos [os fiéis]” (Vicente de Lérins); isto é, esses “cristãos progressistas” se caracterizam não só por um afastamento, mas por uma rejeição de todo o ensino consensual entre os cristãos legítimos: a crença no Deus uno e trino, em sua revelação infalível e autoritativa nas Escrituras Sagradas, no pecado original e pessoal, na salvação exclusiva pela livre graça, no nascimento virginal de Cristo Jesus, em seu sacrifício sangrento na cruz, expiatório e substitutivo, em sua ressurreição corporal e em sua segunda vinda, única, visível e pessoal.


Se há, de fato, tal cisão, como reconhecer esses ditos “progressistas” como cristãos? Até que ponto – mais uma vez, se há um afastamento do ensino consensual cristão, como resumido nos antigos credos, aceitos por todos os ramos da fé cristã – não se deve considerá-los como meros “cavalos de Tróia”? Pois estes têm por alvo subverter os alicerces mais básicos da fé e da ética cristã para que a Igreja seja controlada (Gleichschaltung), subordinando-a à agenda do Partido/Estado, inflexível e colossal.

E, me parece, com a derrocada da esquerda na esfera pública, esses “cristãos progressistas” dobraram a aposta, na esfera eclesial, propagandeando com mais virulência, militantemente, suas crenças e valores.

Ao fim, toda noção de cristianismo parece ter sido subvertida pelos “cristãos progressistas”, subordinados que estão a uma Ideia. Se isso é assim, estes não podem ser reconhecidos como cristãos. Pois eles colocam fé na Ideia, não na Revelação. E gnosticismo não é cristianismo.

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Nota:

[1] O termo “cristão progressista” também foi usado no Brasil nas décadas de 1950 e 1960 para caracterizar os adeptos da teologia da libertação, que “pensavam à frente”, contrapondo-se aos “reacionários”, que, por serem conservadores, estariam “amarrando o progresso”. E, na época, era hegemônico equacionar “progresso” com a noção comunista de história. Os “cristãos progressistas” surgiram nesse momento, supondo que a classe que salvaria o mundo seriam os pobres. Com a derrocada do socialismo no leste europeu, seguindo a nova esquerda, os “cristãos progressistas” entendem que a classe que salvará o mundo será a dos “excluídos” e minorias: mulheres, negros, homossexuais, índios, etc. Agora, enquanto o esquerdismo do PT sai de moda no Brasil e no restante da América Latina, alguns, atrasados em seis décadas, defendem e propagam o “cristianismo progressista”, na contramão da história.

Divulgação: Bereianos