O perigo do pós-modernismo

Cada época tem sua perspectiva e forma de enxergar o mundo. Ninguém olha para a realidade de uma forma neutra, todos nós carregamos os óculos de cosmovisões que irão moldar a forma como damos sentido ao mundo em geral e à vida em particular. Hoje estamos vivendo aquilo que os filósofos caracterizam de pós-modernidade.
Ó tempos! Ó costumes!


Atribui-se a Cícero essa expressão cuja tradução é “Que tempos os nossos! E que costumes!” Com isso, Cícero estava lamentando a decadência do seu mundo contemporâneo. Não há dúvidas de que essa expressão se aplica ao nosso mundo atual: decadência moral, destruição da família tradicional, ataques a toda e quaisquer espécie de autoridade, conservadorismo ou verdade.Se um aluno cristão, num ambiente universitário, alega que apenas o Cristianismo é verdadeiro, ele logo é tachado de fundamentalista e retrógrado. Os professores e alunos dirão que o cristianismo é uma religião como qualquer outra no mundo. Não há religião verdadeira, tudo é uma questão de gosto ou de se sentir bem. De fato, as universidades estão sendo os holofotes onde o pós-modernismo é proclamado. Isso é perigoso, de lá sairão os homens e mulheres que irão influenciar nossa sociedade: advogados, filósofos, médicos, jornalistas, etc.

Tudo isso reflete o espírito do nosso tempo: o pós-modernismo. Segundo Stanley J. Grenz:
O pós-modernismo está cada vez mais presente na sociedade como um todo. Podemos detectar um deslocamento do moderno para o pós-moderno na cultura ‘pop’ que vai dos vídeos musicais desconexos à nova série de Jornada nas Estrelas chegando até aos aspectos cotidianos da vida contemporânea, como, por exemplo, a nova procura por espiritualidade no mercado e a justaposição dos diferentes estilos de roupas que muitas pessoas usam. (GRENZ, J. Stanley. Pós-modernismo: um guia para entender a filosofia de nosso tempo, p. 26)
Definição de pós-modernismo:

Segundo o filósofo J.P. Moreland, em seu livro O triângulo do reino, o pós-modernismo é caracterizado como um tripé:
É tanto uma noção histórica, cronológica, quanto uma ideologia filosófica. (Moreland. J.P. O triângulo do reino. p. 103.)
No aspecto histórico, o pós-modernismo é um período posterior e contrário à modernidade. Por modernidade, refiro-me ao período que tem sua gênese a partir do renascimento (séculos XVI a XVII) e que teve seu apogeu no iluminismo (séculos XVII a XIX). Os filósofos René Descartes e Immanuel Kant são figuras conhecidas desse período.

Nessa época, os filósofos idolatravam a razão. Eles davam grande ênfase na racionalidade e no método científico; pois acreditavam que ao enfatizarem essas coisas o mundo iria melhorar progressivamente. A visão que os modernistas tinham era de triunfalismo e de otimismo. O pós-modernismo é contra essas coisas, sua visão de mundo é pessimista e cética contra qualquer ideia de progresso.

Se os modernistas apregoavam a conquista da natureza através da ciência, conforme proposto por Francis Bacon, os pós-modernistas querem cooperar com a natureza, pois acreditam que a natureza está ficando cada vez mais um lugar inseguro de se habitar. Sendo assim, o pós-modernismo é uma reação ao modernismo.

Outro ponto que marcava os modernistas era sua tese de que existia a objetividade e o conhecimento. Os modernistas, em geral, acreditavam que o homem podia se despir de suas subjetividades e alcançar a objetividade na aquisição do conhecimento. Outro fator importante para entender a modernidade era que eles acreditavam que o conhecimento era acessível à mente humana.

Por isso, a tentativa do filósofo René Descartes em tentar achar um conhecimento que fosse absoluto. Os filósofos modernistas discordavam acerca de como o conhecimento era alcançado, se através dos sentidos (empiristas) ou através da razão (racionalistas). Mas eles compartilhavam o conceito de que era possível ter acesso ao conhecimento. Os pós-modernistas rejeitam a tese de que é possível alcançar a verdade e o conhecimento objetivo. Em seu aspecto cronológico, o pós modernismo é uma era que veio logo após a modernidade e a substituiu (Moreland, p. 104).

Mas além do sentido histórico e cronológico, o pós-modernismo é, decerto, uma ideologia filosófica que nega valores absolutos e fixos, como razão, objetividade, verdade, moral, essências, etc. Ou seja, ele é uma visão filosófica que tem como base uma visão relativista de todas as coisas. Segundo Grenz:
Os pós-modernos creem que não somente nossas crenças específicas, mas também nossa compreensão da própria verdade, encontram-se enraizadas na comunidade da qual participamos. (Grenz, p. 29)
Tudo é uma mera construção social. A linguagem é o que determina o que é certo ou errado. Não existe uma realidade além da linguagem. A linguagem não aponta para algo externo a ela. Estamos presos num emaranhado linguístico. Tudo é uma construção social feita por um grupo de indivíduos que compartilham uma narrativa.

Narrativa é uma visão de mundo, como o marxismo, nazismo, judaísmo ou cristianismo. Nas palavras do Moreland:
Uma narrativa é a história da comunidade que revela quais perspectivas ela adota. Essas narrativas estão arraigadas no contexto social dos indivíduos que nascem nesses grupos. Parodiando o sofista Protágoras, o pós-modernista diz: ‘A comunidade é a medida de todas as coisas’.
Ora, uma vez que são muitos os grupos de indivíduos, cada grupo determina sua verdade. Não há uma verdade universal que perpassa essas comunidades, como queriam os modernistas. Por isso, a desconfiança dos pós-modernistas a toda e qualquer metanarrativa. Metanarrativas são afirmações universais e totalizantes. Um exemplo de uma metanarrativa é a Bíblia ou os credos eclesiásticos. Elas fazem afirmações atemporais que transcendem o espaço e o tempo.

Por exemplo, os cristãos afirmam que o que a Bíblia diz é verdade para todos os tempos. O credo niceno-constantinopolitano alega que Jesus é Deus encarnado. Essas declarações, para os cristãos, são verdadeiras em todos os tempos e lugares. O próprio conceito de que a Igreja é católica (universal) é uma afronta para os pós-modernos, pois, para eles, não há verdades universais. Filósofos pós-modernos que são idolatrados nas universidades são: Friedrich Nietzsche, Ludwig Wittgenstein, Michel Foucault e Jacques Derrida.

A influência da teoria literária desconstrucionista

O ataque à modernidade e, consequentemente, ao iluminismo, veio de uma teoria literária, a saber, o desconstrucionismo. Segundo os desconstrucionistas, o significado de um texto não é inerente ao texto em si, mas está na cabeça do intérprete. O texto é um container semântico. Cabe ao leitor interpretar da forma como ele bem entender. O leitor não vai ao texto para descobrir um sentido que está lá, porque não há nenhum significado escondido lá, cabe ao leitor ir ao texto e construir o significado. Os pós-modernistas se aproveitaram disso e o expandiram para toda realidade. Conforme nos diz Grens:
Os filósofos pós-modernos aplicaram as teorias do desconstrucionismo literário ao mundo todo. Assim como um texto terá uma leitura diferente conforme o leitor, dizem eles, da mesma maneira a realidade será ‘lida’ diferentemente por todo ser dotado de conhecimento que com ela se depare, isso significa que o mundo não tem apenas um significado, ele não tem nenhum centro transcendente para a realidade como um todo. (Grenz, p. 18)
Derrida sugeriu que nos desapeguemos da ontoteologia (descrições verdadeiras da realidade), assim como da metafísica da presença (a tese de que existe algo transcendente no mundo). O importante é o sujeito que interpreta a realidade. Para outro teórico pós-modernista, Michel Foucault, qualquer tentativa de se interpretar a realidade objetivamente é um desejo de imposição de poder.

Pós-modernismo, ambientalismo e o marxismo

Existe uma relação estreita entre o ambientalismo e o marxismo com o pós-modernismo. Os pós-modernistas criticam o sujeito controlador da natureza que era pregado na modernidade. Como disse Gene Edward Veith, os pós-modernistas rebaixam o indivíduo em detrimento da natureza. Não é por acaso o forte apelo dos ambientalistas no nosso mundo. Os ambientalistas colocam a natureza acima do homem. O homem é tratado como se fosse um parasita neste planeta. Por isso a luta das políticas públicas para controlar o crescimento da população mundial. Esforços e propagandas são feitas para que os casais não tenham muitos filhos para não esgotar os recursos da natureza.

Alguns ambientalistas são tão radicais que chegam ao ponto de idolatrar a natureza. Como disse Gene Edward Veith:
O ativista Pentti Linkola, do Partido Verde da Finlândia, argumenta que as pessoas são um erro evolucionário, um câncer da terra. Linkola chega ao ponto extremo de dizer que ele tem mais pena das espécies ameaçadas de insetos do que das crianças que estão morrendo de fome na África. (VEITH, Edwaurd Gene. Tempos pós-modernos, p. 68)
Na esteira do ambientalismo surge o Movimento dos direitos dos animais. Muitos adeptos desse movimento não veem diferença entre a espécie humana e os demais animais. Se alguém alega que os humanos são superiores aos animais, dizem eles, estará cometendo o erro de especismo, um tipo de racismo entre as espécies. Mas isso não é de se espantar. É apenas um corolário das premissas pós-modernistas. Como bem disse Veiht:
Num mundo sem absolutos, não existe base para se dizer que os seres humanos sejam melhores do que qualquer outra espécie. (Op. Cit. P. 68).
Os marxistas (eles se denominam pós-marxistas) aproveitam a ênfase dos pós-modernos à comunidade e ao coletivo para implantar suas ideias. Uma vez que não há um sujeito autônomo conforme diziam os modernistas, o homem agora é moldado pela coletividade. O homem agora não é mais o sujeito de sua vida, mas vítima do ambiente social onde vive. A miséria e a pobreza são culpa do Capitalismo. Uma vez que é a sociedade que formata o sujeito, cabe agora criar estratégias que modelem a sociedade para que um novo homem seja formado.

Críticas ao pós-modernismo

O pós-modernismo é perigoso para o Cristianismo. Se não há verdades absolutas, então por que adotar o Cristianismo e não o Budismo ou Islamismo? Se a tese dos pós-modernistas estiver correta, então tanto faz ser cristão ou judeu, já que nenhuma declaração dessas religiões corresponde a uma realidade. Isso é uma destruição do Cristianismo. O Cristianismo, ao longo da história, sempre combateu religiões falsas. Dizer que nenhuma religião é verdadeira é minar a singularidade de Cristo, uma vez que ele é colocado lado a lado com outros líderes religiosos, como Maomé, Moisés, etc.

Outro problema que afeta o cristianismo é a evangelização. Os cristãos sempre seguiram o mandamento de Jesus de irem a todo mundo e pregarem o evangelho a toda criatura (Mt 28.19). Como pregar o evangelho para pessoas infectadas com a mentalidade pós-moderna? Gene Edward Veith disse mais ou menos estas palavras:
É difícil evangelizar um sujeito que relativiza o pecado.
Se o pós-modernismo estiver certo, então não há necessidade de chamar as pessoas para se arrependerem de seus pecados. E mais: o multiculturalismo, o pluralismo religioso e o perspectivismo são as alternativas para a nossa sociedade, caso o pós-modernismo tenha razão. Sendo assim, seria uma ofensa para um cristão pedir que um adepto do judaísmo se convertesse ao cristianismo. Os cristãos sempre saíram mundo afora, desde o primeiro século, pregando Cristo entre as religiões pagãs e alegando que a salvação se dava somente através de Cristo. Por essa razão que os pós-modernistas chamam os cristãos conservadores de imperialistas que querem impor sua cultura religiosa sobre outras culturas.
Negação da verdade universal.

Os pós-modernos se sentem felizes ao negarem a existência da verdade universal. Porém, eles não percebem que ao fazerem isso estão, na verdade, dando um tiro no próprio pé. A própria alegação de que “não existe verdade absoluta” já é, em si mesma uma declaração absolutamente verdadeira da realidade. Logo, é uma contradição fazer tal afirmação. Se tudo for relativo à cultura, então o próprio pós-modernismo é relativo à cultura de onde nasceu; então, ninguém está na obrigação de concordar com o postulado relativista pós-moderno.
Não existe uma realidade fora da nossa linguagem?

Segundo os pós-modernistas, não há uma realidade lá fora que nossa mente possa acessar. Pois todo acesso ao mundo é mediado pela linguagem. Se isso for verdade, então caímos num completo ceticismo, e não podemos fazer nenhuma declaração sobre o mundo lá fora. A ironia de tal pensamento é que quando um pós-modernista lê uma bula de remédio ele acredita que as palavras da bula correspondem a uma realidade (o remédio) que existe fora das palavras da bula. Ele não duvida do que a bula diz. De fato, a própria declaração de que não existe uma realidade fora da nossa linguagem já é uma declaração acerca da realidade. Logo, é incoerente.

Negação das metanarrativas

O próprio pós-modernismo é uma metanarrativa. Pois faz declarações universais e atemporais acerca do mundo. Eles acreditam que no passado tudo era mediado pela linguagem, que no presente o mesmo acontece e no futuro será a mesma coisa. Ora, isso é uma metanarrativa radical, pois faz afirmações que se aplicam a todas as eras. Só há duas saídas para o pós-moderno: se o pós-modernismo for verdadeiro, então ele é falso, pois faz uma declaração universal e transcendente; se for falso, então não é verdade que não existem metanarrativas.

Os pós-modernos são incoerentes quando alegam que não há verdade que transcenda às comunidades específicas

Ao alegarem isso, ou seja, que não há uma verdade absoluta e universal que transcenda às comunidades específicas, estão fazendo uma afirmação absoluta e universal de que nenhuma comunidade local detém a verdade absoluta. Eles são pegos naquilo que rejeitam, pois negam uma verdade absoluta e universal enquanto fazem uma declaração absoluta e universal sobre todas as comunidades. Enfim, meu objetivo era apresentar da forma mais sucinta possível o pós-modernismo e suas implicações perigosas para o nosso mundo atual. O pós-modernismo gera um caos na sociedade e é um perigo para o cristianismo.
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Referências:

O triângulo do reino. J.P. MORELAND. São Paulo. Editora Vida.

Tempos pós modernos. Gene Edward Veith. São Paulo. Ed. Cultura cristã.

Pós-modernismo: um guia para entender a filosofia do nosso tempo. Stanley Grenz. São Paulo. Ed. Vida Nova.

Fonte: Storyf CIU211

Ricos não entram no céu!

Por Mateus de Castro:

Quando Jesus Cristo afirma no Sermão da Montanha que "ricos não entrarão no Reino dos Céus", ele está sendo o primeiro marxista?

Jesus Cristo foi o primeiro marxista! Se você entender que qualquer um que olhe pelos pobres é um marxista, então, sem dúvida!
Nenhuma outra figura messiânica tratou tanto dos pobres e deles se lembrou. Em diversas passagens da Bíblia, Cristo demanda a caridade, uma atenção especial aos pobres, o abandono material e condena a riqueza. Certo? Não exatamente.
Desde os primeiros passos do cristianismo, a Igreja se viu forçada a, de tempos em tempos, esclarecer sua doutrina. O que culminaria na necessidade dos famosos concílios. Ao contrário do que muitos pensam, a Igreja sempre reagiu a agressões e a distorções de sua doutrina. Afinal, a preservação da doutrina é outra de suas missões. Doutrina essa interpretada pelas melhores mentes de suas épocas, como Agostinho no século IV e Tomás de Aquino no século XIII, entre tantos outros. As distorções doutrinais ganhavam o nome de heresia. Heresia vem de um termo grego que significa escolha. No caso, significava demonstrar que alguém escolhia a sua interpretação pessoal, e não a doutrina definida pela Igreja.


Uma das primeiras heresias cristológicas, ou seja, sobre Cristo, foi o Ebionismo. O Ebionismo consistia basicamente em negar a natureza divina de Cristo. Isto é, torná-lo apenas um ‘homem bom’. Soa familiar? Pois devia! As idéias ebionistas ressurgiram sob diversas formas nos últimos dois mil anos. Não que os ebionistas tenham retornado, mas suas idéias foram assimiladas e ganharam vários banhos de loja nos últimos tempos.

O marxismo, por exemplo, abraça a idéia de um Jesus apenas humano. Estão aí a CNBB e a maioria da Igreja no Brasil que não nos deixam mentir! Alguns autores não foram tímidos ao unir Cristo ao marxismo, como Ernst Bloch e Camilo Torres Restrepo, que seria uma das influências da Teologia da Libertação, e famoso pela frase “se Jesus estivesse vivo hoje, Ele seria um guerrilheiro”.

Transformar Jesus em apenas um ‘homem bom’ é uma epidemia. É apenas natural que um dos sintomas seja a interpretação dos seus atos sob a visão humanista. Por essa interpretação, quando Jesus diz em Mt 19,21: “Vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céu“, Jesus estaria falando de divisão total de bens e igualitarismo.

Se não é disso que Ele está falando, do que será? Para tentar entender, devemos primeiro visitar as raízes judaicas do cristianismo. Marxistas vão torcer o nariz, mas é a única forma de entender.

Embora as obrigações judaicas não fossem sempre as mesmas em todos os momentos de sua história, algumas são perenes. A Tzedakah é uma delas. A palavra costuma ser traduzida por justiça, ou mais comumente como caridade. Tradicionalmente era entendida como uma maneira de ajudar o pobre. Na Septuaginta, a tradução grega da versão judaica do Antigo Testamento, ela é tratada como “dar esmola”. Porém, a interpretação judaica comum significava ajudar o pobre de tal forma que ele pudesse se reerguer na vida e se sustentar sozinho. Isso incluía até mesmo torná-lo seu sócio temporariamente. Curiosamente, nada que se pareça com a versão marxista do sustento estatal e da planificação econômica.

Os judeus tinham a obrigação pessoal de evitar a pobreza. Quer dizer, é obrigação de todos trabalhar e se esforçar pelo que é seu.

Outra visão judaica é do pobre como irmão (achikha). Dentro dessa visão, nenhum homem deveria acumular tanto dinheiro sem ajudar um irmão em estado de pobreza. Aqui temos uma pista sobre o que Cristo queria dizer em várias passagens do Novo Testamento.

Unindo essas visões, percebemos que os judeus deveriam trabalhar com afinco por uma situação pessoal melhor, mas sem esquecer dos pobres, seus irmãos. Caso fosse necessário, um grande sacrifício pessoal deveria ser feito para ajudá-los. Não sustentá-los para sempre! Mas recolocá-los no caminho da dignidade humana do sustento próprio.

No capítulo 5 do Evangelho de São Mateus, começa o discurso mais bonito entre tantas lindas palavras ditas por Jesus. Ficou conhecido como “O Sermão da Montanha”.

Em Mt 5,3, Cristo nos manda ser “pobres de espírito”. Algumas traduções dizem “ter espírito de pobre”. As duas formas se referem à mesma coisa. Lembre-se que Cristo falava para uma platéia de judeus, e eles imediatamente entenderiam suas referências. No caso, Cristo falava não só de humildade, mas de um espírito caridoso de irmandade divina entre os homens.

Em outro momento do sermão (Mt 6,24), Jesus diz “Não podeis servir a Deus e às riquezas“. Ao contrário do que alguns podem pensar, isso não é uma condenação da riqueza em si. É permitido ao homem acumular ganhos pessoais, desde que ele não esqueça de seus irmãos. Pela cultura judaica (e pela lógica), o homem só pode ajudar o irmão se ele tiver algo acumulado. Ler o versículo inteiro nos mostra que antes disso Jesus falava sobre não servir dois senhores. Jesus quer nos mostrar que o homem deve ser abnegado. Ele devo trabalhar, se sustentar, e ajudar os irmãos. Mas seus olhos devem estar sempre em Deus. Somente com os olhos em Deus o homem fará na Terra o bem para si e para o seu próximo. É a avidez desmesurada que é condenada como pecado da avareza.

Pensemos agora na parte final do Sermão da Montanha, quando Cristo fala em Mt 7,13 sobre a porta estreita. A porta estreita deve ser o caminho escolhido por todos nós, pois a porta larga, a da facilidade e do egoísmo, é o caminho da perdição. Ao invés de comparar com as riquezas, vejamos Mt 7,22. Cristo ensina que muitos dirão: “Senhor, Senhor, não pregamos nós em Vosso nome, e não foi em Vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres?“. Ao que Cristo responde: “Eu lhes direi: nunca vos conheci!“. Como poderia ser isso? Essas pessoas não estão servindo a Deus, pregando em Seu nome, e até mesmo realizando milagres? Não estaria Ele se referindo a um sacerdote como um aviso aos discípulos? Voltaremos a esse ponto mais a frente.

Já bem depois do Sermão da Montanha, ainda no Evangelho de Mateus, Jesus fala de outra situação em que o rico não entrará no Reino dos Céus (Mt 19,24). Cristo diz que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus. O que Ele queria dizer com isso? É preciso lembrar que seus ouvintes entenderiam essa citação imediatamente.

Existem várias tradições que explicam essa passagem. A mais comum é sobre uma porta estreita em Jerusalém que seria baixa demais para os camelos carregados de carga. Os mercadores teriam que largar a carga para entrar. Isso seria uma imagem que Cristo usaria para falar novamente sobre a entrega total a Deus. Não é um artifício interpretativo para dar um caráter espiritual onde não tem. A prova disso é que no versículo seguinte os apóstolos perguntam, espantados: “Então, quem pode salvar-se?“. Ora, por que os discípulos estariam espantados? Nenhum deles era rico. Pelo contrário! E o povo judeu era dominado pelo Império Romano. Não havia grandes expectativas de riqueza. Por que eles ficariam preocupados se Cristo estivesse mesmo falando de bens materiais? De ricos e pobres? Não faz sentido!

Voltando ao exemplo do final do Sermão da Montanha (Mt 7,22). Não são apenas os bens materiais que exercem fascínio perigoso no homem. Até mesmo a fé mal entendida ou direcionada pode enfraquecer a ligação do homem com o Senhor. É fácil escolher a porta larga da fascinação do apelo espiritual e se esquecer da caridade. É pelos frutos que conhecereis a árvore, ensina o Senhor. Frutos são as obras. Mas quais obras? As obras que todo cristão deve aprender e praticar. Entre elas, as ensinadas no Sermão da Montanha. Porém, o foco é sempre o Senhor! Toda palavra de Cristo é sobre a salvação da alma.

Cristo não era marxista e nem poderia ser. Não apenas pela óbvia distância no tempo, mas sim pela sua mensagem. Sua mensagem era uma só, dita de várias maneiras: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento, e o próximo como a si mesmo.” (Lc 10,27).

Jesus não veio ao mundo para falar de bens materiais e nem de organização sócio-política. Ele veio para falar de fé e atos para a salvação; de virtude e de pecado. Não era sobre o pobre, mas sobre o irmão que você deixa sofrer. Não é sobre acumular ou não bens, mas sobre não tirar os olhos de Deus em nenhum momento. Não é sobre libertar o homem fisicamente, mas sobre libertar a alma dos grilhões do pecado.

A César o que é de César, e a Deus o que é de Deus (Mt 22,21). O marxismo é a antítese do cristianismo. A salvação marxista é o homem, o pobre como objeto de libertação da opressão pelo homem. A Salvação de Cristo é a liberação do homem da chaga do pecado. O pobre, para o cristão (e para o judeu), é um irmão que tem que ser colocado de volta no caminho da salvação. Um caminho individual e não coletivo. Para o cristianismo, não é o mundo que deve regular a riqueza. Ela está a serviço da consciência de cada um.

Os compatriotas de Jesus não entenderam por que ele não os libertou da opressão do mundo. Eles queriam um messias libertador de corpos, e estavam prontos para seguí-lo cegamente se ele assim tivesse se apresentado. Os marxistas também não entendem. Eles também estão sempre prontos a seguir cegamente quem prometer uma utopia na Terra. Se para isso tiverem que distorcer as palavras de Cristo, eles nem hesitam. O problema é que Cristo não prometeu paz, prosperidade ou igualdade na Terra. Ele prometeu coisa muito melhor: um Reino que não é deste mundo!

Fonte

O espírito de Karl Marx em Lausanne: Teologia da Missão Integral

Por Julio Severo:

René Padilla: Lausanne defendeu a Teologia da Missão Integral como a missão da igreja


Karl Marx estava em Lausanne em 1867, para um congresso marxista internacional.

Um século mais tarde, outro congresso internacional atraiu a atenção em Lausanne. Não foi um congresso marxista. Foi um congresso evangélico sobre evangelização. Contudo, deu um holofote fantástico para os promotores latino-americanos da TMI (Teologia da Missão Integral), que, de acordo com seus defensores brasileiros, é a versão protestante da marxista Teologia da Libertação. Um deles é Ariovaldo Ramos, que louvou Hugo Chávez. Ele é o diretor da Visão Mundial no Brasil.

Foi o Congresso Lausanne de Evangelização Mundial,1974, onde um de seus teólogos, René Padilla, era um dos mais proeminentes defensores da TMI na América Latina.

Então, espiritualmente, Karl Marx estava também presente no congresso Lausanne, através de sua ideologia, que estava ganhando roupagem evangélica.

Roupagens bonitas disfarçam uma ideologia feia e enganadora.

Por isso, há um esforço dos promotores da TMI de sequestrar o propósito de grandes conferências evangélicas explorando qualquer declaração que se assemelhe aos sentimentos socialistas da TMI. Em seu documento “Integral Mission and its Historical Development” (Missão Integral e seu Desenvolvimento Histórico), Padilla argumentou em favor da TMI fazendo uma lista de várias conferências evangélicas passadas como alegadamente apoiando-a.



Usarei o documento de Padilla como referência para tratar a TMI em Lausanne.

Acerca do Congresso de Missão Mundial da Igreja (Wheaton 1966), Padilla disse:

“A Declaração de Wheaton confessou o ‘fracasso de aplicar princípios bíblicos para tais problemas como racismo, guerra, explosão populacional, pobreza, desintegração da família, revolução social e comunismo.’”

“Explosão populacional” era um assunto comum e obsessão entre as elites ocidentais nas décadas de 1960 e1970 e deveria ter sido tratada por líderes cristãos responsáveis e capazes não de acordo com os desejos das elites, desejos que levaram à legalização do aborto nos EUA, a maior nação protestante do mundo, e posterior homossexualização radical da sociedade. “Explosão populacional” é um mito e estratégia retórica que disfarçam iniciativas de controle populacional que incluem o planejamento familiar e são responsáveis hoje pelo dilúvio de “direitos homossexuais” em detrimento dos direitos e bem-estar das crianças e suas famílias. Se esse mito tivesse sido desmascarado por líderes cristãos naquela época, poderia ter evitado a legalização do aborto nos Estados Unidos, a qual ocorreu em 1973, com um número enorme hoje de mais de 50 milhões de bebês em gestação como vítimas inocentes.

Acerca de revolução social e comunismo, qualquer que seja a interpretação que Padilla tentasse dar, é óbvio que a TMI, em sua prática latino-americana, nunca foi inimiga para ele e seus colegas teólogos liberais.

Padilla se pergunta sobre Wheaton 1966:

“Como tal documento pôde ser produzido numa conferência de missões realizada nos Estados Unidos numa época em que o evangelicalismo nesse país não estava simplesmente interessado em mudança social ou ativismo social.”

Entretanto, um evangelho socialista não era uma realidade estranha nos EUA. Ao que tudo indica, Padilla ignora o movimento do Evangelho Social, que nasceu nos EUA na década de 1870. O socialismo na sociedade americana e entre suas igrejas era uma ameaça tão séria que “Os Fundamentos,” um documento teológico organizado por R. A. Torrey e publicado em 1915, tinha um capítulo inteiro contra o marxismo e o socialismo.

O socialismo, mascarado como interesse em mudança social ou ativismo social, é um velho problema nas igrejas americanas.

O velho movimento do Evangelho Social dissipa o mito de que o evangelicalismo nos EUA não tinha se envolvido em “mudança social ou ativismo social.” E há sinais significativos de que o liberalismo teológico mais importante na América Latina foi influenciado por ele.

A Teologia da Missão Integral, ou até mesmo a Teologia da Libertação, pode ser o desdobramento mais importante do Evangelho Social.

Um missionário presbiteriano do movimento do Evangelho Social foi para o Brasil em 1952 e passou uma década ensinando teologia na instituição teológica presbiteriana mais proeminente do Brasil. Seu nome era Rev. Richard Shaull, e ele estava envolvido em várias causas marxistas e comunistas no Brasil. O nascimento das ideias da Teologia da Missão Integral (TMI) no Brasil tem origem e crédito nele.

Na década de 1950 ele já dizia o que os promotores da TMI estariam dizendo nas décadas de 1980 e 1990 e décadas futuras. O discípulo de Shaull, Rubem Alves, inicialmente um teólogo na Igreja Presbiteriana do Brasil e mais tarde um agnóstico, defendia as ideias da Teologia da Libertação antes de seu lançamento oficial.

Ainda que a TMI seja rotulada de versão protestante da Teologia da Libertação, a TMI nasceu antes da Teologia da Libertação. Para mais informações, baixe meu e-book grátis: http://bit.ly/11zFSqq

Padilla tentou dar para a TMI um nascimento mais nobre usando grandes conferências evangélicas, inclusive o Congresso Mundial de Evangelismo (Berlim 1966), como alegados precursores.

Em seu discurso de abertura na Conferência de Berlim, Billy Graham reafirmou sua convicção de que “se a igreja voltasse à sua tarefa principal de proclamar o Evangelho e as pessoas se convertessem a Cristo, teria um impacto muito maior nas necessidades sociais, morais e psicológicas dos homens do que poderia alcançar por meio de outra coisa que se pudesse realizar.”

Apesar disso, Padilla usou essa conferência como um grande precursor da TMI. Ele disse:

“Com todos esses antecedentes, ninguém deveria ficar surpreso que o Congresso Internacional de Evangelização Mundial (Lausanne 1974) acabaria se revelando um passo definitivo para confirmar a missão integral como a missão da igreja. Em vista da marca profunda que deixou na vida e missão do movimento evangélico no mundo inteiro, o Congresso de Lausanne pode ser considerado o encontro evangélico mundial mais importante do século XX.”

Para Padilla, Lausanne estabeleceu a Teologia da Missão Integral como a missão da igreja. Assim, com a TMI em Lausanne, o socialismo se tornou a missão da igreja.

Por causa da influência esquerdista de Padilla e outros teólogos latino-americanos, o Pacto de Lausanne disse: “Afirmamos que o evangelismo e o envolvimento sócio-político são ambos partes de nosso dever cristão.” O Pacto de Lausanne basicamente igualou evangelismo com ação política de linha esquerdista, uma união profana nunca feita pelo Evangelho ou Jesus.

A figura central do primeiro Congresso de Lausanne foi Billy Graham. Sem ele, não teria havido Lausanne, mas também nem ele esperava a repercussão em nível ideológico. Quando Graham percebeu que a esquerda evangélica estava tentando atrelar tudo, ele parou de financiar Lausanne, para desgosto de Robinson Cavalcanti, antigo colunista da revista Ultimato, que publicamente acusou que Lausanne estava sob uma “hegemonia da ala conservadora, branca, anti-CMI (Conselho Mundial de Igrejas), antissocialista,” etc. (Pobre Graham: branco, anglo-saxão, conservador, etc!)

Cavalcanti queria a continuidade de Graham no movimento Lausanne para captar recursos para levar adiante a revolução da TMI. Essa revolução vem ocorrendo, mas sem o dinheiro e participação de Graham. Valdir Steuernagel, líder da TMI, já mostrou que hoje Lausanne está muito mais TMI do que nunca. Não é, pois, um movimento com a cara do Evangelho, mas com a cara de uma ideologia que se mascara como Evangelho.

Padilla comentou acerca dos resultados que ele ajudou a produzir nesse pacto da TMI dizendo: “O Pacto de Lausanne não só expressou penitência pela negligência da ação social, mas também reconheceu que o envolvimento sócio-político era, junto com o evangelismo, um aspecto essencial da missão cristã. Ao fazer isso deu um golpe mortal nas tentativas de reduzir a missão à multiplicação de cristãos e igrejas por meio do evangelismo.”

No entanto, “ação social” e “envolvimento sócio-político” como “um aspecto essencial da missão cristã” nunca foram, na opinião de Padilla e outros adeptos da TMI, ativismo conservador. Sempre foram ativismo socialista.

Padilla frisa o mesmo ponto quando diz:

“Se tanto o evangelismo quanto a ação social estão tão intimamente relacionados que sua parceria é ‘em realidade, um casamento,’ é óbvio que a primazia do evangelismo não significa que o evangelismo deve sempre e em toda parte ser considerado mais importante do que seu parceiro. Se esse fosse o caso, algo estaria errado com o casamento!… Conceito de missão como um casamento em que os dois parceiros — palavra e ação — são iguais, mas separáveis.’”

Então para Padilla, a ação social — na verdade, a ação socialista — é tão importante quanto é o Evangelho. Essa é uma união profana que Jesus e seus apóstolos nunca pregaram ou conheceram.

Padilla tenta fazer os inimigos da TMI parecerem evangélicos de classes mais elevadas na América do Norte se opondo a pastores latino-americanos pobres que adotaram uma teologia para ajudar os pobres. Ele disse:

“Apesar de seus inimigos, a maioria deles identificados com a elite missionária norte-americana, a missão integral continuou a encontrar apoio entre evangélicos, principalmente no segundo e terceiro mundo.”

Contudo, ele não informou seus leitores que os pregadores da TMI na América Latina são igualmente luteranos, presbiterianos e batistas da classe média alta, muitas vezes formados em universidades europeias e americanas, que entram em choque com pregadores pentecostais e neopentecostais geralmente pobres que ajudam os pobres em suas próprias comunidades pobres, mas sem a TMI. Eles ajudam os pobres pregando o Evangelho sem socialismo. Eles incentivam suas audiências a buscar prosperidade, cura, saúde e salvação de Deus. Eles oram pelos doentes e expulsam demônios. Esse é um Evangelho enormemente desconhecido dos adeptos da TMI.

Daí, há conflitos entre eles. Quando o Movimento Lausanne se reuniu no Brasil em 2014 para debater “problemas” pentecostais e neopentecostais, o líder da reunião foi o Rev. Steuernagel, um pastor que não é pentecostal.

Pelo fato de que Padilla não tem apoio da Bíblia para unir o Evangelho com ação política esquerdista, ele tem de usar grandes conferências evangélicas e sua linguagem ambivalente ou vaga ou até mesmo Lausanne, cuja linguagem teve a participação ativa dele.

Além disso, intencionalmente ou não, Padilla desconsiderou a oposição conservadora em Lausanne aos esforços dele para tornar Lausanne mais esquerdista. O líder dessa oposição foi o Dr. C. Peter Wagner, que era missionário na América Latina e conhecia muito bem os promotores da TMI. Ele acusou a TMI de ser esquerdista.

Padilla também nunca mencionou que em Lausanne os líderes evangélicos da América Latina não representavam o pentecostalismo explosivo nessa região. Por exemplo, o Rev. Valdir Steurnagel, hoje líder do Movimento de Lausanne, é pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Um ex-presidente dessa denominação luterana, Walter Altmann, é moderador do Conselho Mundial de Igrejas e um promotor ativo da Teologia da Libertação. Muitos outros nessa denominação são defensores proeminentes da Teologia da Libertação e TMI. A maior instituição teológica da IECLB no Brasil tem um professor de teologia, o Dr. André Sidnei Musskopf, que é não apenas um homossexual assumido, mas também um militante homossexual ativo e escritor.

A Teologia da Libertação, em seu marxismo explícito, na IECLB faz a TMI parecer, em seu socialismo “suave,” “conservadora” ou até mesmo “direitista”! Mas como mostra o exemplo do Rev. Musskopf, ambas teologias facilitam a aceitação e expansão da teologia gay.

A condição de classe elevada de Steuernagel e suas experiências teológicas mais altas de modo nenhum refletem a experiência das igrejas pentecostais e neopentecostais predominantes no Brasil, cujas congregações muitas vezes são compostas por membros mais pobres do que as congregações luteranas, que geralmente são classe média ou mais alta. A IECLB, que adotou a Teologia da Libertação e a TMI, não representa o perfil da Igreja Evangélica do Brasil.

Padilla também reconhece a influência de Steuernagel em Lausanne dizendo:

“Mas a falta de atenção adequada à questão de justiça durante o Congresso foi claramente articulada por Valdir Steuernagel do Brasil num discurso de dez minutos que ele deu ao plenário no finalzinho do Congresso.”

Da mesma forma, outros teólogos brasileiros não falam pela Igreja Brasileira quando falam sobre ela às audiências do primeiro mundo e conferências evangélicas internacionais.

Paul Freston, um brasileiro naturalizado que tem livros publicado em inglês sobre a Igreja Brasileira, tem um histórico de envolvimentos socialistas no Brasil e ele é uma figura chave em eventos da TMI no Brasil.

Outro promotor da TMI é o Rev. Alexandre Brasil, um pastor presbiteriano que tem dado discursos em instituições calvinistas nos EUA sobre a situação da Igreja Evangélica no Brasil. O Rev. Brasil tem tido um emprego de alto salário como assessor na presidência do Brasil no atual governo socialista.

Todos eles são brasileiros de classes mais elevadas tratando de questões de pobreza em grande parte não experimentadas por seu segmento protestante, mas pelos segmentos pentecostais e neopentecostais.

Apesar disso, Lausanne tem sido uma plataforma para esses teólogos que não são pobres promoverem suas ideias marxistas no nome do Evangelho, que já tem assistência abundante para os pobres, sem socialismo.

Se maldições espirituais podem afetar espiritualmente cristãos enfermos, será que a reunião marxista de Karl Marx em Lausanne em 1867 e suas influências das trevas poderiam ter afetado uma reunião evangélica 100 anos mais tarde?

A responsabilidade de um cristão é pregar o Evangelho a toda criatura, inclusive marxistas, socialistas e comunistas. Vacinar o Evangelho com o marxismo, o comunismo ou o socialismo não é plano de Deus.

Pregar o socialismo mascarado como responsabilidade social “cristã” ou como “casado” ao Evangelho a todos os cristãos não é o que Jesus mandou. Ele mandou que os cristãos pregassem o Evangelho do Reino de Deus e curassem os doentes e expulsassem demônios — presumivelmente, até mesmo ideologias demoníacas entre os cristãos. Sinais e maravilhas, ou curas e expulsão de demônios, estão casados com o Evangelho original, o primeiro Evangelho.

Se tivesse tido oportunidade, o Espírito Santo poderia ter se manifestado em Lausanne e outras conferências evangélicas semelhantes. Em vez disso, o espírito de Karl Marx fez suas manifestações protestantes em Lausanne, que, de acordo com Padilla, estabeleceu a TMI como “a missão da igreja,” levando os evangélicos a abraçar e ajudar uma ideologia que faz o Estado substituir o Evangelho na competência de ajudar os pobres, curar os enfermos e expulsar os demônios mediante seus serviços sociais, financiados não pelo bolso de seus governantes políticos, mas pelo bolso de seus cidadãos explorados.

Por que ninguém ousa chamar a TMI de outro evangelho ou outro espírito?

Aos Adeptos da TMI: Um Alerta do Passado

Por Thiago Oliveira:



Considero o Pacto de Lausanne um documento ortodoxo e de grande valia para o segmento evangelical. Todavia, lamento que o conceito de missão integral tenha sido capturado por cristãos ditos progressistas que têm um alinhamento político-ideológico com os setores da esquerda. Isto fere a própria tradição de Lausanne, pois em Junho de 1980 a Consulta de Pattaya se posicionou contrária ao marxismo, vendo-o como um sistema concorrente do cristianismo e, em seu bojo, anticristão. Na ocasião, pastores do leste europeu - bloco socialista liderado pela extinta URSS - escreveram aos irmãos ocidentais:
"Nosso temor é que a igreja de outros países fiquem alheias aos problemas do marxismo e insensíveis ao fato de que, ao nosso ver, elas estão colaborando com pessoas desta filosofia que nos oprime. Assim como procuramos ser sensíveis à preocupação de tais cristãos com a verdadeira justiça social em favor dos pobres, também pedimos que as igrejas de outros países compreendam como nós nos sentimos quando elas mantém conversações com os marxistas. (...) Poderiam as prioridades marxistas virem a ser reordenadas de tal maneira que o interesse pela justiça social no setor baixo-econômico tivesse preeminência sobre a eliminação da religião?"
O relatório extraído desta consulta foi publicado com o título “Evangelho e o Marxista”, e o trecho supracitado se encontra na página 35. Nessa consulta, também estavam pastores e líderes latino-americanos que falavam acerca da pobreza e de uma possível práxis conjunta entre evangélicos e marxistas para diminuir as injustiças sociais. Tais líderes são os pioneiros da conhecida Teologia da Missão Integral (TMI). Nota-se que aqueles cristãos que viviam oprimidos pela imposição do marxismo, no leste europeu, ficaram preocupados com o resultado desta proximidade, mesmo sabendo que a pauta para tal aproximação era nobre (o cuidado com os pobres). Hoje, diante de alguns fatores, podemos dizer que eles estavam certos ao fazer determinada ressalva, pois, vemos muitos proponentes da TMI convivendo com ideias e com pessoas oriundas do pensamento marxista sem fazer as devidas críticas ou, ao menos, estabelecer as diferenciações de suas pautas.

Recentemente, a revista Cristianismo Hoje, em sua edição de número 52 trouxe como matéria de capa o seguinte assunto: "Missão Integral, Missão de Deus". A matéria é propagandista e diz que a TMI já contribuiu e tende a contribuir muito para a igreja brasileira. O texto evoca os princípios do Pacto de Lausanne e salienta que evangelização e ação social devem andar de maneira conjunta. Ela ainda dá a entender que as críticas feitas a TMI que a associam as ideias marxistas são infundadas. O pastor americano Timothy Carriker, disse que fazer tal associação é algo "tão absurdo que eu tenho muita dificuldade de levar a sério". Mas como não entender se um dos seus principais expoentes diz que para interpretar a Bíblia usa os óculos que possuem os postulados marxistas da mais-valia e da luta de classes? Essa é uma fala do Ariovaldo Ramos registrada em vídeo[1]. O mesmo Ariovaldo que escreveu e leu o manifesto pró-governo com a cobertura da mídia oficial do Partido dos Trabalhadores. [2] Obviamente que ele não representa todos os proponentes da TMI, mas, no mínimo, dada a importância do Ariovaldo, isso evidencia que muitos vão seguindo pelo mesmo caminho. Sendo assim, qual a dificuldade de entender quem tece uma crítica sobre o abraço da TMI aos pressupostos de Marx?

Como se não bastasse, vemos por aqui cantor esquerdista que vai palestrar numa ONG que é influenciada pela TMI[3], além de outras pautas progressistas que ferem a Escritura e que são defendidas por quem hoje se diz adepto da missão integral. A coisa é tão séria que decidiram não relançar o documento de Pattaya, alegando que a conjuntura sócio-política mudou. Mas algo que esqueceram de refletir é que ainda existem cristãos em países socialistas que são perseguidos e mortos. A Coréia do Norte há anos encabeça a lista dos países perseguidores do evangelho. Como diz o documento: "Os marxistas estão plenamente convencidos de seu ateísmo e, consequentemente, uma boa parte de seu pensamento está destinada a erigir-se em antítese do cristianismo" (p.11, grifo meu).

Que as dezenas de milhares de cristãos mortos e torturados[4] por governos pautados em princípios marxistas possam gritar para que alguns dos proponentes da TMI acordem para o fato de que não podem conciliar o ethosevangélico com os escritos de Marx, Engels e os que lhes sucederam. Que eles sejam sensíveis ao que seus “irmãos do passado” levantaram e, atentem para não colaborar com uma ideia que oprime seus “irmãos de agora” em outras partes do mundo. Cito novamente o documento de Pattaya: "O marxismo é uma filosofia e um programa. Como um todo, é fundamental eincontornavelmente ateu. Por esta razão, notamos no conceito 'marxista cristão' uma contradição de termos" (p.22, grifo meu).

Por fim, acredito que a missão cristã deve ser holística (ou integral, como queiram), e deve alcançar o homem todo. Mas, infelizmente, o termo foi maculado com uma aproximação irresponsável entre o evangelho e uma corrente ideológica. Eu, por hora o tenho abandonado. Faço minhas as palavras do Kevin Vanhoozer: "Os pastores precisam vacinar o corpo de Cristo contra toxinas idólatras, infecções ideológicas e outras formas de ensinamento falso"[5]. Quando fazem o oposto disso, o prejuízo doutrinário não pode ser maquiado pelas boas ações e intenções.
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O Esquerdismo e o Evangelho

Por Alfredo de Souza


Recentemente, um conhecido líder evangélico definiu-se ideologicamente da seguinte maneira: “Sou um pensador independente, de esquerda. Não acredito no neoliberalismo capitalista. Ele produz os excluídos. O Evangelho defende os pobres e os marginalizados". (conferir)


Causa-me espanto que um homem que se diz “de Deus” seja tão rápido em enfileirar-se nas trincheiras da teologia da libertação, como se ela se constituísse leitura fiel do Evangelho, sem, no entanto, aperceber-se das claras divergências entre ambos. Pelo menos foi o que ficou evidente.

Com base nesta percepção, gostaria de fazer as seguintes considerações:

1. O Evangelho não está restrito a uma classe social. Uma das pessoas mais mal compreendidas do mundo é o Senhor Jesus. Em seu nome muitos abusos foram e ainda são praticados. Um deles é restringi-lo à pobreza e à miséria. Na verdade, o Evangelho não defende a pobreza, ele defende unicamente a glória de Deus e a vitória de seu Filho para a salvação dos eleitos, sejam eles riquíssimos, medianos, pobres ou miseráveis financeiramente. Nesse contexto há cinco considerações importantes. Em primeiro lugar, Jesus recebeu e conviveu com ricos, além de freqüentar a casa dos publicanos, indivíduos censuráveis, não por terem recursos financeiros, mas pela maneira como enriqueceram. Em segundo lugar, o próprio conceito de pobreza não está restrito às posses materiais. Mt 5: 3 menciona acerca dos pobres de espírito, enquanto o próprio rei Davi, em meio à sua fortuna, afirmou no Sl 40:17: “Eu sou pobre e necessitado, porém o Senhor cuida de mim; tu és o meu amparo e o meu libertador; não te detenhas, ó Deus meu!” Em terceiro lugar, a defesa bíblica dos pobres ocorre no contexto da Aliança de Deus com o seu povo, ou seja, é o pobre crente que recebe as promessas dos cuidados divinos para a sua penúria. Em quarto lugar, o problema levantado pelas Escrituras não estava na riqueza, mas no apego a ela que promovia o orgulho, o egoísmo e o desprezo pelos necessitados. Em quinto lugar, condicionar as Boas Novas aos pobres, portanto, é permitir que a falta de recursos seja, em si mesma, santificadora do homem. O Evangelho não defende os pobres nem os marginalizados, pois o pobre sem Cristo será condenado, assim como o rico com Cristo será salvo.

2. A esquerda é, em essência, contra a moralidade divina. A esquerda defende uma liberdade pecaminosa ao homem. Não importa se se trata do Democratic Party americano, do Bloco de Esquerda português, do Sozialdemokratische Partei Deutschlands alemão ou do PSOL brasileiro, o alvo principal é o mesmo. A luta em favor do aborto, do feminismo, do homossexualismo, do divórcio, da compartimentação radical da sociedade, do uso de células-tronco embrionárias etc. são claramente contra a Lei de Deus. Se, historicamente, alguns segmentos da direita cometeram abusos, os da esquerda, de igual modo, cometeram também. O que determina tal posição é o humanismo em detrimento do teísmo (o mesmo ocorre com a teologia relacional, o neopentecostalismo e, obviamente, a teologia da libertação).

3. Toda cúpula governamental é abastada. Este é outro ponto que os esquerdistas não entendem. Os líderes da esquerda clássica vivenciaram a opulência e o conforto financeiro diante da miséria social. O próprio Fidel Castro é um exemplo clássico disso, sem falar de Hugo Chávez ou Evo Morales. Todos estão encastelados devorando faisões enquanto seus patrícios morrem por migalhas. Mas não são apenas estes que vivenciam o usufruto de bens materiais, até mesmo os homens de Deus sérios que ocuparam cargos públicos gozaram da riqueza e do conforto como foi o caso de Davi, de Salomão, de José e de Daniel.

4. Cuidar dos pobres é uma parte do cumprimento da Lei. Há vários textos que alertam o crente quanto ao cuidado aos necessitados. Mas isto não ocorre para que haja uma transformação social radical. Isto é utopia. Aliás, “nunca deixará de haver pobres na terra” (Dt 15: 11). A responsabilidade do crente está em partilhar daquilo que Deus concede generosamente, pois nada é nosso, tudo é dele. A riqueza não deve embrutecer ou criar a sensação de auto-suficiência, pois em tudo dependemos da graça. Por isso, somos obrigados a servir ao próximo, inclusive com o bolso. É nesse contexto que o Evangelho promove mudanças na sociedade, embora isso não seja o alvo principal.
Além de tudo o que acima foi exposto, é preciso ressaltar que o esquerdismo manifesto na Teologia da Libertação lê as Escrituras com um programa de mudança social, isto é, a interpretação que ela faz do Evangelho pretende ser apenas uma justificativa para as práticas políticas voltadas à sociedade. Afinal, para a Teologia da Libertação, a leitura é uma “produção de sentido” onde leitor constrói o significado do texto.
Concluo dizendo que “ser de esquerda” e “ser cristão” estabelece uma grande contradição, cuja síntese – se é que isso exista – sempre prejudicará o Evangelho e contribuirá maciçamente para com a esquerda. Ser cristão é não pertencer ao mundo, é ser peregrino, é ser louco para com os inteligentes deste mundo.

SOLA SCRIPTURA

Manifesto comunista: manifesto contra a família

 Por Eguinaldo Hélio Souza:


Sim! Também a instituição familiar foi vitima do famigerado Manifesto Comunista. Nem ela escapou! Basta ler. Como sempre, seu conteúdo sintético condensa a visão revolucionária contra a realidade e a tradição. O ódio à instituição familiar se justifica pelos mesmos falsos argumentos de sempre.
“Abolição da família! Até os mais radicais ficam indignados diante desse desígnio infame dos comunistas. Sobre que fundamento repousa a família atual, a família burguesa? No capital, no ganho individual.
A família, na sua plenitude, só existe para a burguesia, mas encontra seu complemento na supressão forçada da família para o proletário e na prostituição pública.

A família burguesa desvanece-se naturalmente com o desvanecer de seu complemento. E uma e outra desaparecerão com o desaparecimento do capital.” [1]

Segundo o Manifesto, qual o fundamento da família? O capital. Como acabar com ela? Acabando com o capitalismo e a propriedade privada. Enquanto a moral judaico-cristã compreende a importância da família e luta para que ela se mantenha coesa, o comunismo a despreza, a desvaloriza e lança contra ela seu veneno.

A Lei da Palmada nada mais do que afronta marxista contra a autoridade paterna. O feminismo nada mais do que a luta de classes transferida para a identidade sexual. A defesa da união entre pessoas do mesmo sexo, nada mais é do que uma tentativa maquiavélica de anular o sentido de família, pois se família é qualquer coisa que se denomine família, então nada é família.

Friedrich Engels, buldogue de Marx, escreveu:
“A monogamia não aparece na história, portanto, como uma reconciliação entre o homem e a mulher e, menos ainda, como forma mais elevada de matrimônio. Pelo contrário, ela surge sob a forma de escravização de um sexo pelo outro, como a proclamação de um conflito entre os sexos, ignorado, até então, na pré-história. (…) Hoje posso acrescentar: o primeiro antagonismo de classes que apareceu na história coincide com o antagonismo entre o homem e a mulher na monogamia; e a primeira opressão de classes, com a opressão do sexo feminino pelo masculino”[2]
E continua:
“A família individual moderna baseia-se na escravidão doméstica, franca ou dissimulada, da mulher, e a sociedade moderna é uma massa de cujas moléculas são as famílias individuais”[3]
O Manifesto é também entre outras coisas um libelo contra a família, cujas ideias são ampliadas na obra de Engels:
“Então é que se há de ver que a libertação da mulher exige, como primeira condição, a reincorporação de todo o sexo feminino à indústria social, o que, por sua vez, requer a supressão da família monogâmica como unidade econômica da sociedade”[4]
Bastaria ouvir minha esposa para desmascarar tamanha besteira. Entretanto, e infelizmente, nem sempre as novas gerações são tão sábias quanto ela, e, inoculadas com veneno marxista, muitos só mais tarde compreendem as bênçãos de uma família estável em um mundo instável.

No entanto, o marxismo não é apenas inimigo da família. Ele é inimigo do conceito de família. Não devemos ficar admirados se em uma cultura marxizada a família sofre todo tipo de ataques e distorções.

As ideias marxistas sobre família fizeram parte da Revolução Bolchevique: “Muitos bolcheviques acreditavam que a família, sendo uma instituição baseada na propriedade privada, seria abolida em uma sociedade comunista, com o Estado assumindo a responsabilidade de cuidar das crianças e do trabalho doméstico”[5]. E se os pais educassem seus filhos conforme seus valores e não conforme os valores da revolução marxista, então esses filhos podiam rebelar-se com o total apoio do Estado. “Se os pais persistem em transformar os filhos em pequenos senhores ou em místicos bitolados, então as crianças tem o direito ético de abandoná-los”[6]. É marxismo pisando a ética judaico-cristã, o mandamento de honrar pai e mãe. Em primeiro lugar vem a submissão ao Estado-Leviatã.

Na década de 1980, Marilena Chauí lançou seu livro “O que é ideologia?” E nele já estavam contidos ataques à família, bem como a defesa da união homossexual. Temos hoje o resultado de décadas de doutrinação.

“Se a ideologia [capitalista] mostrasse todos os aspectos que constituem a realidade das famílias no sistema capitalista, se mostrasse como a repressão da sexualidade está ligada a essas estruturas familiares (condenação do adultério, do homossexualismo, do aborto, defesa da virgindade e do heterossexualismo, diminuição do prazer sexual para o trabalhador porque o sexo diminui a rentabilidade e produtividade do trabalho alienado), como, então, a ideologia manteria a ideia e o ideal da Família? Como faria, por exemplo, para justificar uma sexualidade que não estivesse legitimada pela procriação, pelo Pai e pela Mãe? Não pode fazer isto. Não pode dizer isto”[7] Para ela a família não é uma necessidade da estrutura social. É apenas uma conveniência humana que se opõe á religião de Marx. Precisa ser destruída.

Este é mais um dos pontos que torna o Manifesto Comunista o pior livro do Ocidente. Sua defesa do Estado monstro, seu anti-cristianismo, sua defesa da violência política, são motivos suficientes para que sua leitura seja, senão suprimida, pelo menos contraindicada. Sua venda deveria ser feita sob um rótulo: “Cuidado, esta leitura é prejudicial à sua existência e à existência de toda a humanidade”. A história universal que o diga. E nossa história também.




Notas:
[1] MARX, K. e ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Global Editora, 1986, p. 32

[2] ENGELS, Friedrich. A origem da família, da propriedade privada e do Estado. Rio de Janeiro: Best Bolso, 2014, p. 79

[3] ENGELS, Friedrich. Op. Cit. p. 89

[4] Op. cit. p. 90 

[5] SMITH S.A. Revolução Russa. Porto Alegre: L&PM, 2013, p. 160 

[6] SMITH S.A. Op. Cit p.163 

[7] CHAUÍ, Marilena. O que é ideologia. São Paulo: Brasiliense, 1980, p. 118 



Por que o marxismo odeia o Cristianismo

Por Eguinaldo Hélio Souza.

O marxismo autêntico sempre odiou e sempre odiará o cristianismo autêntico. Se não puder pervertê-lo, então terá que matá-lo. Sempre foi assim e sempre será assim.

E por que essa oposição manifestada ao cristianismo por parte do marxismo? Por que o ódio filosófico, a política anticristã, a ação assassina direcionada aos cristãos? Por que o país número um em perseguição ao cristianismo não é muçulmano e sim a comunista Coréia do Norte?

As pessoas se iludem quando pensam no marxismo como doutrina econômica ou política. Economia e política são meros pontos. Marx não acreditava ter apenas as resposta para os problemas econômicos. Acreditava ter todas as respostas para todos os problemas.

Marxismo na verdade é uma crença, uma visão de mundo, uma fé. O socialismo nada mais é do que a aplicação dessa fé por um governo totalitário. O comunismo, por sua vez, é apenas a escatologia marxista, o suposto mundo paradisíaco que brotaria de suas profecias.

E esta fé não apresenta o caráter relativista de um hinduísmo ou de um budismo. Tendo nascido dos pressupostos cristãos, o marxismo roubou seus absolutos e se apresenta como a verdade absoluta, como o único caminho para redenção da humanidade. E ainda que tenha se apossado dos pressupostos cristãos, inverteu tais pressupostos tornando-se uma heresia anticristã.


No lugar do teísmo o ateísmo, no lugar da Providência Divina o materialismo dialético. Ao invés de um ser criado à imagem e semelhança de Deus, um primata evoluído cuja essência é o trabalho, o homo economicus. O pecado é a propriedade privada, o efeito do pecado, simplesmente a opressão social. O instrumento coletivo para aplicar a redenção não é a Igreja, mas o proletariado, que através da ditadura de um Estado “redentor” conduziria o mundo a uma sociedade sem classes. E o resultado seria não os novos céus e a nova terra criados por Deus, mas o mundo comunista futuro, onde o Estado desaparecerá, as injustiças desaparecerão e todo conflito se transformará em harmonia. Está é a fé marxista, um evangelho que não admite rival, pois assim como dois corpos não ocupam o mesmo espaço, duas crenças igualmente salvadoras não podem ocupar o mesmo mundo, segundo o marxismo real.

Sim, o comunismo de Marx era um evangelho, a salvação para todos os conflitos da existência, fosse o conflito entre homem e homem, homem e natureza, nações e nações. Assim lemos em seus Manuscritos de Paris:
O comunismo é a abolição positiva da propriedade privada e por conseguinte da auto-alienação humana e, portanto, a reapropriação real da essência humana pelo e para o homem… É a solução genuína do antagonismo entre homem e natureza e entre homem e homem. Ele é a solução verdadeira da luta entre existência e essência, entre objetivação e auto-afirmação, entre liberdade e necessidade, entre indivíduo e espécie. É a solução do enigma da história e sabe que há de ser esta solução.
E como o marxismo nega qualquer transcendência, qualquer realidade além desta realidade, seu “paraíso” deve se realizar neste mundo por meio do controle total. Não apenas o controle político e econômico, mas o controle social, ideológico, religioso. Não pode haver rivais. Não pode haver cristãos dizendo que há um Deus nos céus a quem pertencem todas as coisas e que realizou a salvação através da morte e ressurreição de Cristo. Não pode haver outra visão de mundo que não a marxista, não pode haver outra redenção senão aquela que será trazida pelo comunismo. O choque é inevitável.

Está é a raiz do ódio marxista ao cristianismo. Seu absolutismo não permite concorrência. David H. Adeney foi alguém que viveu dentro da revolução maoísta (comunista) na China. Ele era um missionário britânico e pode ver bem de perto o choque entre marxismo e cristianismo no meio universitário, onde trabalhou. Chung Chi Pang, que prefaciou sua obra escreveu:
“(…) a fé cristã e o comunismo são ideologicamente incompatíveis. Assim, quando alguém chega a uma crise vital de decisão entre os dois, é inevitavelmente uma questão de um ou outro (…) [o autor] tem experimentado pessoalmente o que é viver sob um sistema político com uma filosofia básica diametralmente oposta à fé cristã”
Os marxistas convictos sabem da incompatibilidade entre sua crença e a fé cristã. Os cristãos ainda se iludem com uma possível amizade entre ambos. “… para Marx, de qualquer forma, a religião cristã é uma das mais imorais que há”. (Mclellan, op. Cit., p.54). E Lenin, que transformou a teoria marxista em política real, apenas seguiu seu guru:
“A guerra contra quaisquer cristãos é para nós lei inabalável. Não cremos em postulados eternos de moral, e haveremos de desmascarar o embuste. A moral comunista é sinônimo de luta pelo robustecimento da ditadura proletária”
Assim foi na China, na Rússia, na Coreia do Norte e onde quer que a fé marxista tenha chegado. Ela não tolerará o cristianismo, senão o suficiente para conquistar a hegemonia. Depois que a pena marxista apossar-se da espada, então essa espada se voltará contra qualquer pena que não reze conforme sua cartilha.

Os ataques aos valores cristãos em nosso país não são fruto de um acidente de percurso. É apenas o velho ódio marxista ao cristianismo, manifestando-se no terreno das ideias e das discussões, e avançando no terreno da legislação e do discurso. O próximo passo pode ser a violência física simples e pura. Os métodos podem ter mudado, mas sua natureza é a mesma e, portanto, as conseqüências serão as mesmas.

Se nós, cristãos, não fizermos nada, a história se repetirá, pois como alguém já disse, quem não conhece a história tende a repeti-la. E parece que mesmo quem a conhece tende a repeti-la quando foi sendo anestesiado pouco a pouco pelo monóxido de carbono marxista. Será que confirmaremos a máxima de Hegel, que afirmou que a “história ensina que não se aprende nada com ela”?